Publicado por: João Carvalho | junho 17, 2013

Escolha uma bike para o resto da vida

Pois é, eu sei que ninguém (ou quase ninguém) vai passar a vida toda com a mesma bike sem comprar nenhuma outra, mas mesmo assim eu achei essa pesquisa interessante e decidi compartilhá-la com os leitores do blog. A pesquisa foi feita pelo site Pinkbike (http://www.pinkbike.com), que é o site exclusivamente sobre Mountain Bike mais acessado dos Estados Unidos.

A pesquisa coloca a seguinte situação: Imagine que você fosse forçado a passar o resto de sua vida com uma única bike, que seria usada para todo tipo de pedal (somente mountain bike).  Não interessa a marca, mas é importante escolher um tipo de bike com a qual você possa fazer qualquer tipo de pedal, como cross- country, downhill, all-mountain, trilha, etc. Você vai aguentar pedalar em uma trilha ou estradão com uma máquina de downhill com coroa dupla? Conseguiria participar de um enduro com uma bike de cross-country com 100/120mm de suspensão? Duas outras perguntas fazem parte da pesquisa: 1) Qual marca de transmissão/freios você escolheria para usar pelo resto da vida; e 2) Qual tamanho de roda você escolheria para usar pelo resto da vida? Quer dizer, você pode fazer up-grades na sua transmissão e freios, mas não pode mudar a marca.

Eu acho essa pesquisa interessante porque mostra como o biker comum (não profissional) vê o futuro das bikes. Quando se compra alguma coisa para ser usado por muito tempo, geralmente a escolha é por algo que achamos  que não vai sair de moda e por um fabricante que acreditamos seja confiável e estável. Não escolhemos o que pensamos ser uma moda passageira, que não vai durar muito, ou um fabricante que pode fechar. Pelo resultado da pesquisa, a bike que a grande maioria dos bikers vê como a que ele vai poder usar para tudo enquanto pedalar é uma bike full com muito amortecimento (pelo menos 160 mm), transmissão e freios Shimano e roda de 26 polegadas.

O que me surpreendeu no resultado foi a grande diferença entre o primeiro colocado e o resto em cada pergunta, principalmente no tamanho das rodas. Quando todo mundo fala que a tradicional roda com aro 26 vai desaparecer, sendo substituída pelas 29 e 27,5, esta pesquisa mostra exatamente o contrário. Parece que a grande maioria dos bikers acredita que a 26 é a que vai ficar, e que as outras são uma moda que eventualmente vai passar.

A pesquisa ainda está aberta. Quem quiser pode ir na página: http://www.pinkbike.com/news/Pinkbike-Poll-The-One-Bike.html

Vote e veja o resultado até o momento  (tem que votar primeiro). Como elá está aberta há mais de um mês, acho que não vai mais mudar muito.

Abaixo estão as tabelas com os resultados. Traduzi alguns termos para facilitar.

 

Se você tivesse de escolher uma bike para ser sua única bike pelo o resto da vida, qual seria?

  • Freeride: coroa dupla………………………………………….431
  • Downhill: coroa dupla………………………………………….963
  • All-Mountain/freeride/enduro: mínimo 160mm……9066
  • Trail bike: mínimo 140mm …………………………………4241
  • Cross-country/trilha: 120/140millimeter……………1746
  • Hardtail (Rabo duro) mínimo 140mm (garfo)……….512
  • Cross-country/trilha hardtail: 120/140mm…………..402
  • Slope-style full suspension…………………………………621
  • Freestyle/saltos hardtail aro 20…………………………..18
  • Freestyle/saltos hardtail aro 26………………………….193
  • Single-speed hardtail…………………………………………….141
  • Cross-country de corrida full…………………………………..155
  • Cross-country de corrida hardtail( rabo duro)……………99
  • Outros…………………………………………………………………..121
Total de respostas: 18.410

 

Se você tivesse escolher uma única marca de transmissão e de freios para usar o resto da vida, qual seria? 

  • Shimano………………………………………..6552
  • SRAM……………………………………………..4246
  • Outro………………………………………………..214
Total de respostas: 11.012
 
Qual seria sua escolha de tamanho de rodas para usar pelo resto da vida, sem poder mudar mais?
  • 29-inch wheels (aro 29)……………………………………………947
  • 27.5-inch wheels (aro 27,5)……………………………………2816
  • 26-inch wheels (aro 26)…………………………………………7477
  • 20-inch wheels (aro 20)……………………………………………..27
Total de respostas: 11.267
 

Gostaria de ouvir outras interpretações diferentes da minha sobre esses resultados. Façam os comentários no blog, por favor.

Vamos pedalar!

Anúncios
Publicado por: João Carvalho | março 12, 2013

A 6ª Volta das Lagoas

Esta de 2013 na verdade é a 7ª Volta das Lagoas. A primeira ocorreu como um pedal sem pretensões, realizado em 15 de abril de 2007 por Ricardo Buriti, Aloísio Bento e eu. Depois foi que veio a ideia de tentar transformar esse pedal em um evento anual, que se tornasse um acontecimento tradicional de confraternização dos bikers de Campina. O nome veio em referência ao Tour de France, ou Volta da França, o mais tradicional de todos os eventos ciclísticos do mundo. E também ao fato de que passamos por vários municípios com “lagoa” no nome: Lagoa Seca, Alagoa Grande, Alagoa Nova e um pouco por Lagoa de Roça. A data  21 de abril, dia de Tiradentes, foi escolhida por ser um feriado, permitindo a participação de um maior número de pessoas.

Começando a contagem em 2008, quando tivemos o primeiro pedal aberto e com participação de muita gente, este ano teremos a sexta edição do evento. E parece que está pegando, pois a participação aumenta a cada ano, como mostram as fotos abaixo. vamos ver se este ano chegamos aos 100 participantes!

2011: Grupo reunido para a largada da primeira Volta das Lagos

2011: Grupo reunido para a largada da primeira Volta das Lagos

2012: Largada da segunda Volta das Lagoas

2012: Largada da segunda Volta das Lagoas

A Volta não é uma competição, é um evento de confraternização. São formados grupos, de acordo com os diferentes níveis de condicionamento e de técnica, que pedalam juntos. Existe competição interna nos grupos, mas tudo na brincadeira e camaradagem.

Não existe carro de apoio. Cada bikers é responsável por trazer sua água, comida, energéticos, etc. Local para reabastecer só nas cidades. Não encontramos mercearias ou bares pelo caminho. Também não tem muitas regras, exceto a de seguir o caminho pré-definido. Não tem camiseta, medalha ou troféu, nem taxa de inscrição. É um evento bem livre e informal.

O percurso pode ser dividido em 3 trechos, com características distintas, que descrevemos a seguir. Quem quiser ampliar as imagens, basta clicar em cima das mesmas.

1) Largada no Bairro das Nações (Manzuá) em Campina Grande até Alagoa Grande – 41,4KM.

Trecho de Campina a Alagoa Grande

Trecho de Campina a Alagoa Grande

Este é o trecho mais longo, são cerca de 42 KM (46 se contar até a Volúpia). Vamos passar pela Virgem dos Pobres e descer a ladeira da Xã do Marinho, antes de pegar a estrada para Alagoa Grande. O visual no início é muito bonito, pois vamos pedalar na crista de uma serra, com vales e serras dos dois lados. Muitas subidas e descidas. Nenhuma subida muito pesada pra quem está acostumado, mas com algumas descidas  mais técnicas que já causaram acidentes. Não é  pra principiantes ou pra quem não está acostumado a pedalar em trilhas. Lá pelos 30Km vamos passar por uma comunidade quilombola chamada Caiana dos Criolos e pouco depois encaramos uma descida longa e muito acidentada, com pedras, erosões e curvas. Tem que ter cuidado e controlar a velocidade ali. Depois é terreno quase plano (poucas subidas leves) até Alagoa Grande.

Em Alagoa Grande, parada para reabastecer de água, comer uma comida de verdade (que não seja barra e gel energético) e descansar as pernas para encarar o trecho seguinte. Muita gente só faz este trecho, ou porque já programou assim ou porque não aguenta continuar.

2) Alagoa Grande a Alagoa Nova – 20KM

Trecho de Alagoa Grande para Alagoa Nova.

Trecho de Alagoa Grande para Alagoa Nova.

A saída de alagoa Grande é pela estrada que passa na Volúpia, acompanhando o rio. Este é o trecho mais pesado da Volta, embora seja o mais curto. Primeiro porque a maioria dos grupos vai fazer este trecho entre 10:00hs e 14:00hs, quando o sol está mais forte. Leva em média 2hs, por que é um trecho lento com subidas muito longas e pesadas. Pode ser feito de duas maneiras, ambas válidas para a Volta. Uma maneira é pegar a bifurcação que leva a Furnas (um pequeno balneário), passar ao lado de Furnas e seguir direto, sem entrar para Areia. A outra maneira é não pegar a bifurcação que leva a Furnas, seguir acompanhando o rio e pegar a próxima entrada à direita, onde tem (ou tinha) uma grande árvore no meio da estrada. Os dois caminhos vão subir muito. A diferença é que na primeira opção são várias subidas com algumas pequenas descidas intercaladas. Na segunda opção depois que entra à direita na árvore começa uma grande subida. A subida é uma só e parece que não vai acabar nunca (dá pra ver na imagem). Eu já fiz as duas e sinceramente não sei qual é a pior. Uma vantagem do caminho por Furnas é que tem mais sombra para parar e descansar um pouco.

Em Alagoa Nova, mais uma parada para reabastecer, alimentar-se e descansar as pernas. Alguns chegam esgotados e resolvem parar e pegar um transporte de volta para casa. Outros se preparam para a terceira e última parte.

3) Alagoa Nova a Lagoa Seca e Campina Grande  – 25,5Km

A

A

Muitos se enganam com este último trecho, achando que pelo asfalto é moleza. Na verdade não é. Primeiro, tem que ter muito cuidado com os carros e pedalar só no acostamento. A qualidade do asfalto não é boa (principalmente no acostamento), só dá pra encarar de mountain bike. Mas o pior é que tem subidas muito longas, sobretudo pra quem já está cansado das etapa anteriores.  É nesse trecho que passamos pelo município de Lagoa de Roça. A subida final, pra chegar na localidade  Floriano é de matar. Pelo menos para mim é. Subida muito longa e cansativa. Depois de uma breve parada no Floriano, já dá pra relaxar. É quase todo o tempo down-hill até Lagoa Seca, onde se pode tomar uma água de coco gelada e começar a comemorar a finalização de mais uma Volta das Lagoas. A chegada é no mesmo local de partida ou no girador das Nações.

Comecem a treinar. O dia 21 de abril está chegando!

Publicado por: João Carvalho | fevereiro 26, 2013

Trilha na Chapada do Araripe

Eu já tinha ouvido falar muito sobre as trilhas, principalmente os singletrack, que existem no alto da Chapada do Araripe, no sul do Ceará. Sendo assim, não tive dúvidas em aceitar o convite de meu amigo Claudionor para me juntar a um grupo que estava indo para um fim de semana de pedal naquela região.

A Chapada é um grande planalto,  nos munícipios de Crato, Juazeiro e Barbalha, na divisa com Pernambuco, região conhecida como o Cariri do Ceará. Só que ao contrário do Cariri paraibano, o do Ceará é uma região muito verde e com muita água, devido às muitas fontes que brotam na serra e descem para molhar a parte baixa, onde ficam as cidades. Um oásis no meio do sertão. Parece mais o nosso brejo. Vejam uma vista da região, com a trilha pedalada em destaque. A área verde escura é a mata que cobre a chapada (clique nas fotos para ampliar).

Trilha da Chapada do Araripe1

Fomos em uma van no sábado 26/01, um grupo de dez pessoas de Campa e de Cuité. A saída foi da Praça da Morgação.

DSC03253

Paramos pouco. Uma parada apenas em Souza para reabastecer, comer e beber algo, estirar as pernas, e também para verificar as bikes.

DSC03260

Depois de 6 horas de viagem, chegamos ao Crato. A primeira parada foi na Oficina Bike Service, de propriedade do nosso guia Ernesto Rocha, que fica localizada na loja Bike Adventure. Vejam aí minha foto com Ernesto:

DSC03268

Uma vista da loja, que estava fechada na hora que chegamos:

DSC03265

E um pouco da história do local:

DSC03270

O Mountain Bike é muito forte e organizado no Crato, com quatro lojas vendendo bikes boas, vários grupos de pedal e passeios todas os dias e noites. Tem até pedais só de mulheres. A prefeitura quer apoiar e fortalecer o mountain bike, para incentivar a vinda de turistas para conhecer as trilhas da região. A prova disso é que o Secretário de Desenvolvimento da prefeitura do Crato (de camisa azul na foto abaixo) veio nos dar as boas vindas e nos oferecer apoio. Muito legal. Bem diferente da nossa situação aqui em Campina Grande, em que os ciclistas são solenemente ignorados pela prefeitura.

DSC03271

De noite, jantar em um ótimo restaurante com uma grande variedade de carnes, servidas no peso.

DSC03272

No dia seguinte, domingo, fomos pedalar. Primeiro um translado de van até a sede da Floresta Nacional do Araripe, no alto da Chapada. Tivemos a participação e o apoio de mais bikers locais:

DSC03283

Depois uma palestra na sombra das árvores pelo nosso guia Ernesto:

DSC03273

com apresentação da região e da trilha que iríamos percorrer:

DSC03276

E finalmente entramos na trilha. Pelo portal de entrada já da pra ver o nível de organização:

DSC03285

Singletrack muito rápido na mata. Terreno plano com curvas:

DSC03290

Não dá pra luz do sol entrar:

DSC03291

Encontramos alguns campistas no meio da mata:

DSC03297

Entrada para um dos mirantes que encontramos:

DSC03306

Parada pra consultar o GPS:
DSC03308

Saindo da trilha, depois de 9Km de singletrack fechado, encontramos um grupo de bikers locais.

DSC03311

E logo entramos em outro singletrack:

DSC03314

E agora, pra que lado?

DSC03316

Chegamos em outro mirante:

DSC03322

Com uma linda vista da região:

DSC03332

Quando finalmente saímos da mata, encaramos uma descida desafiadora pelo asfalto, longa, inclinada e com muita curva. Mesmo assim paramos pra olhar o visual da serra:

DSC03331

Depois de uma descida longa e muito rápida por estrada de terra e cascalho, parada pra refrescar em um banho de água gelada, direta das fontes da serra:

DSC03337

A velha guarda da escalada em Campa: Daniel, João, Claudionor e Ricardo.

DSC03344

Esse local no inverno forma uma bela cachoeira, porque a altura é grande. No verão vira uma piscina para os mais corajosos pularem. Daniel não perdeu tempo.

DSC03350

A turma toda reunida:

DSC03354

Na volta passamos por um belo casarão do tempo dos coronéis e paramos pra tirar fotos:

DSC03362

Apreciar a paisagem:

DSC03359E fazer novos amigos:

DSC03360

Ninguém queria mais sair:

DSC03356

Na volta para o hotel, uma (só uma) weizenbier gelada para fechar um pedal show:

DSC03364

E pegamos a estrada de volta:

DSC03366

Parada pra consertar o reboque:

DSC03375

E encerrar um dia show de pedal, apreciando o por do sol do sertão paraibano.

DSC03374

Quem quiser ir pedalar na Chapada do Araripe, contacte o Ernesto Rocha (ecobikers@gmail.com) que ele é o cara que conhece todas as trilhas e fornece todo o apoio necessário. Nós tivemos só uma amostra do que são as trilhas lá. Tem muito mais coisa pra conhecer. O track para GPS da trilha que pedalamos está disponível na área do Campa Bikers no site GPSies. Quem quiser baixar é só clicar aqui. Com certeza vamos voltar!

Publicado por: João Carvalho | fevereiro 24, 2013

Trilhas de Campina Grande

Trilha do Reino Encantado

Neste carnaval de 2012 tive o prazer de voltar para essa  trilha que não fazia há muito tempo e que sem dúvida é uma das melhores trilhas de média duração da região. É uma trilha que tem de tudo, como mostram as fotos a seguir. As fotos são cortesia do nosso companheiro Mário Araújo. Para ampliar tem de clicar duas vezes na foto.

Tem que passar por cima de porteira:

2013-02-13 06.30.26

e por baixo de cerca:

2013-02-13 09.22.53

Tem singletrack na mata:

2013-02-13 06.42.55

e singletrack no descampado:

2013-02-13 07.16.24

Trilha alagada e com muita lama:

2013-02-13 08.21.05

e trilha no meio da seca braba:

2013-02-13 07.15.24

Teve parada pra apreciar a paisagem da Pedra do Marinho:

2013-02-13 08.31.06

e muita parada pra consertar furo em pneu:

2013-02-13 07.27.10

teve também muita descida e muito singletrack bem técnicos e muita subida de torar, como a da xã dos macacos, mas nesses ninguém parou pra tirar fotos.

Mas o principal é que teve muito companheirismo, muita diversão e todos rindo e curtindo a trilha:

2013-02-13 07.16.02

2013-02-13 07.16.04

2013-02-13 07.15.43

2013-02-13 07.19.03

Vejam essa foto da trilha, são 31,22 Km com 632m de subida acumulada, começando no shopping Boulevard e terminando no girador da saída para lagoa Seca. O trecho em vermelho é o que foi batizado de Reino Encantado, por nosso colega Ricardo Dias. Quem quiser saber porque tem de fazer a tilha e depois perguntar pra ele.

Trilha do Reino Encantado1

 

O track para gps dessa trilha pode ser baixado da nossa página no GPSies, onde tem também o mapa e muita informação sobre a trilha. Basta clicar aqui.

Publicado por: João Carvalho | agosto 17, 2012

Tour du Mont Blanc – A Trilha

A seguir, o relato dos dias na trilha do Tour du Mont Blanc, baseado nas descrições fornecidas por Luciano Pirro e Gileno Santos. As fotos foram fornecidas por Fábio Dantas. Os membros do grupo são: Daniel Dalonio, Fábio Dantas, Gercino Pinto, Gilberto Meneguesso, Gilenos Santos, Gilvandro Costa, João Carvalho (não pedalou), Leonardo Rabello, Luciano Pirro, Saulo Medeiros, Valber Maxwell, WagnerMedeiros. Nosso guia foi Phil Hennen.

Para ver as fotos ampliadas, é só clicar nas mesmas.


Primeiro dia – Chamonix a Col de la Forclaz – 41Km

Nosso primeiro dia começou por volta das 10hs e fomos pedalando por 5 km, até o centro de Chamonix onde ficamos esperando por Phil, que tinha outros assuntos a resolver. Aproveitamos para compras de última hora na ZeroG.

Grupo preparado para o início do tour. Da esquerda para a direita: Gercino, Gileno, Gilberto, Wagner, Gilvandro, Daniel, Fábio, Leonardo, Valber, Luciano, Saulo.

Depois de sairmos de Chamonix, entramos em um single-track na mata. Logo de cara pegamos uma subida e depois de cerca de 1km chegamos em uma estrada de asfalto. Depois de descer por 800m fizemos a primeira de muitas paradas para nos reabastecermos de água potável e em seguida  uma descida bem técnica com muitas raízes atravessadas e certo momento, ao lado de um desnível gigante. Passamos por vários riachos de águas oriundas de geleiras (a cor leitosa das águas denunciavam), até chegarmos novamente no asfalto e seguirmos por uns 3 km para uma estação de teleférico. Ao chegarmos na estação subimos em teleférico fechado até o local onde iríamos almoçar (sanduiche que compramos no centro de Chamonix) à +- 1500m de altitude.

O vale de Chamonix visto de 1800m

Acabado o almoço, seguimos novamente subindo em outro teleférico, esse aberto, por mais 300m, até chegar aos 1800m  e começamos o nosso primeiro grande downhill,  inicialmente por um single-track simples que depois tornou-se mais técnico, estreiro e bem inclinado. Terminado o single track começamos a descer por uma estrada para 4×4 que, apesar de ser da largura de um carro, era muito veloz, longa e muito inclinada, requerendo o uso de técnica. Paramos no meio da ladeira ao lado de uma estação de esqui desativada e em seguida começamos a descer por uma estrada de asfalto extremamente sinuosa em “S”. Foi aí que cruzamos a fronteira da França com a Suíça. Nesta estrada precisamos usar muito os freios. Alguns companheiros chegaram a gastar completamente  as pastilhas.

Trilha sinuosa na Suíça

Seguimos no asfalto por mais 2km, cruzando a cidade de Trient, e dalí começávamos uma subida de 5 km em estrada “S”, bem inclinada e forte, ao final da qual chegamos no Hotel Col de La Forclaz, onde dormiríamos a primeira noite. A primeira coisa a fazer foi pedir uma cerveja bem gelada e erguer um brinde ao nosso primeiro dia de pedal.

Chegada no Col de La Forclaz


Segundo dia, Col de La Forclaz a La Ferret, 41,52Km

Acordamos no Hotel Col de La Forclaz e às 9:20hs estávamos montando nas bikes, tirando as últimas fotos partindo para mais um dia de pedal, com destino a La Ferret. Estávamos a 1890m de altitude, de modo que o pedal começou por uma descida pelo asfalto.

Logo saímos do asfalto para um sigle track rápido sob a sombra de arvores (tipo tunel), passamos inclusive por trabalhadores podando arvores, obstaculando nossa passagem. Nesse trecho três integrantes do grupo se seguiram pelo caminho errado, se separando dos demais. Até atingirmos a altitude de 1000m, fomos alternando trechos em asfalto com o single tracks e estreitos becos entre casas. Tudo isso de forma muito rápida, pois o desnível era grande. Reencontramos então os três perdidos e ouvimos uma “preleção” de  Phil sobre como deveríamos sempre seguir as instruções dele para evitar outras “perdidas”.

Pedalando na floresta.

Chegando no patamar de 1000m, percorremos uns 3 km numa rodovia para podermos começar uma longa, demorada e sofrida subida em asfalto (em “S”, pois a inclinação era gigante, típica das etapas de subida do tour d´France) por 11km até 1800m de altitude. Seguimos rumo à Champex Lac, com um lago lindo e cristalino. Lá paramos para almoçar.

Almoço em Champex Lac

Após o descanso do almoço e as fotos do lindo cenário, começamos numa descida forte em single track em “S”, super técnico e perigoso, com rochas e raízes em toda a sua extensão, nas quais o pneu das bikes escorregava. Descemos para uns 1100m até uma rodovia numa localidade com casas. Pedalamos entre “vielas” e seguimos pelo asfalto numa estrada por uns 5 km e entramos numa estrada de terra.

Descida difícil com muitas raízes e pedras.

Nesse ponto, como o cansaço era grande e já estávamos bem próximos da chegada, para evitar a última subida, dois membros do grupo tomaram um ônibus que os levarias até o hotel. Os demais seguiram pedalando até voltarem à rodovia asfaltada e pararem em um local com um mercadinho, loja de souvenirs e lanchonete. Paramos para comer e beber e comprar algumas lembranças e nesse local fomos alcaçados pela van com nossa bagagem, comMichelle, Pepper (no banco da frente), e os membros não pedalantes do grupo.

Parada ao entardecer perto de La Ferret

Depois de uma breve confraternização e mais fotos, seguimos por mais alguns poucos quilômetros para alcançarmos o Hotel de La Ferret, final da nossa jornada do dia. Mais uma vez, um brinde com a deliciosa  cerveja local para saudar nosso segundo dia de pedal e repor as energias.



Terceiro dia (18/02/2012), La Ferret (Suíça) ao Rifugio Monte Bianco (Itália), 33.45Km

Depois de  uma noite bem dormida em La Ferret (Suíça) e de acordarmos ainda sentindo os efeitos da etapa anterior, tomamos mais um bom café da manhã e nos preparamos para outro dia de pedal.

Início de mais um dia de pedal.

Iniciamos por uma subida pelo asfalto e depois de 1,5Km passamos para uma estreita estrada de terra, feita para carros 4X4 e com uma subida já bastante forte, até atingirmos a fronteira Suíça-Itália.  A partir deste ponto, a trilha virou um single-track, semmpre subindo e com inclinação muito forte. Ao cansaço natural, somou-se  a falta de oxigênio, pois nos aproximávamos do Col de Ferret, a 2537 metros de altitude o ponto mais alto de todo o tour.

Subida forte em direção ao Col de Ferret

Col de Ferret, a 2537 metros de altitude o ponto mais alto de todo o tour.

Como sempre, após a subida vem a descida. Depois de uma breve pausa para recuperar o fôlego e tirar fotos, descemos até 1000m de altitude, por um singe-track sinuoso e perigoso, costeando um abismo. A trilha não tinha mais que 60cm de largura. Às vezes até menos, por causa da canalização de pedras para água da chuva, que bloqueava a maior parte da trilha. Alguns optaram por desmontar e empurrar a bike, sem dúvida a opção mais segura.

Descida perigosa costeando abismo.

Já na Itália, seguimos pelo asfalto até um restaurante para o almoço, uma deliciosa macarronada à bolonhesa. Após o almoço, seguimos pelo asfalto e por trechos de single-track até a pequena e charmosa cidade de Cormayeur, para saborearmos um legítimo sorvete italiano. Tomado o sorvete seguimos pelo asfalto, subindo de forma moderada cerca de 6Km, por uma estrada sinuosa numa montanha saindo de Courmayer, até nosso próximo alojamento no Rifugio Monte Bianco, a 1700m acima do nível do mar.

Chegada ao Rifugio Monte Bianco, a 1700m de altitude.

A beleza da paisagem que se avista do  Rifugio Monte Bianco é indescritível. Avista-se a parede do maciço do Mont Blanc  oposta a Chamonix, com geleiras, picos cobertos de neve e paredões de rocha. Até avalanches presenciamos. Foi um dia cansativo e, em alguns momentos, estressante. Para compensar tivemos umas boas rodadas de cerveja italiana, sentados no terraço e curtindo a vista. Depois foi jantar e dormir em preparação para o dia seguinte.



Quarto dia (19/07/2012), Rifugio Monte Bianco (Itália) ao lago de Roseland (França), 39,42Km

Desta vez saímos na hora. Depois de vermos Phil montar na bike e sair, interrompemos a sessão de fotos e partimos atrás, iniciando por uma trilha na mata que nos levou até uma estrada asfaltada, onde começamos a subir.

Trilha ao longo de rio.

Assim passamos uma boa parte da manha, sempre margeando um rio. Neste trecho nos deparamos constantemente com grupos, familias e caminhantes solitarios fazendo trekking.

Encontramos muitos trekkers, mas nenhum biker. Essa trilha não é para qualquer um.

Após uns 10 km de asfalto paramos para reunir o grupo em uma ponte que dava acesso a uma estradinha de terra. Começava a esfriar, então tivemos que colocar os casacos para suportar o frio. Nesse momento começava a parte emocionante do quarto dia. Inicialmente pedalamos por um trecho plano de terra, sempre margeando o rio, agora praticamente no mesmo nível. Ao longe avistávamos o que estava por vir.

Avistamos ao longe o que iríamos enfrentar.

Do plano passamos para uma subida forte, com uma sequencia interminável de curvas em um terreno cheio de pedras soltas. Um desafio extremamente técnico, pois além da inclinação e da grande quantidade de caminhantes subindo a montanha ainda tínhamos as dificuldades das pedras que tornavam a tração e o equilíbrio sobre a bike difíceis. Ao atingirmos o topo paramos para reunir o grupo. Estávamos uma planície verde, cercada de montanhas, com indícios de que ali o gelo era intenso no inverno. Pedalamos ali algum tempo, até começarmos a subir novamente. Neste trecho já tínhamos a presença constante de blocos de gelo, derretendo por conta do que dizem ser verão. Para nós aquilo parecia inverno.

Também encontramos muito gelo.

Após uma árdua subida, passamos a subir com a bike nas costas, porque não havia mais trechos pedaláveis. O esforço era extremo e cansativo devido à altitude, que já era superior a 2500 metros. Após subir, chegamos a um centro de visitação (La Casermetta) e paramos para contemplar a vista. A chegada até aqui já era um triunfo, pois estavamos a 2365 metros de altitude. No centro, uma maquete em 3D do maciço do Mont Blanc e uma faixa descrevendo varios aspectos naturais e geologicos.

Imagem panorâmica do maciço do Mont Blanc.

Aqui avistávamos o topo do Mont Blanc. Deixando a centro de visitação continuamos subindo. Era dificil até para empurrar a bike, pois nao havia mais trilha e sim degraus,  onde cada subida era uma vitória. Tivemos que levar as bikes nas costas. Outro fator de dificuldade era o vento extremamente forte, que nos forçava a usar a bike como apoio, pois a cada passo o vento tentava nos varrer da face da montanha e o frio era intenso. Chegamos ao ponto mais alto do dia, provavelmente a mais de 2500 metros, demarcado por um amontoado de pedras.

O topo da subida, acima dos 2.500m.

Após um descanso merecido pegamos um donwhill longo, por um trecho de pedras, degraus, valas e abismos, muito técnico, rápido e perigoso. Descemos aproximadamente 1.000 metros e chegamos ao Refuge des Mottets, ainda na Italia, onde todos paramos para descansar as mãos que doíam de tanto apertar os freios. Deixamos para trás a etapa mais dificil do dia e seguimos por uma estrada de asfalto ainda descendo, até chegar na fronteira com a França.

Paramos para o almoço às 2:00 horas da tarde, pratos do dia: lapin (coelho) e canard (pato). Após um descanso depois do almoço, aproveitamos para uma gozação com nosso guia, pois ficamos prontos para partir e ele ainda estava descansando, tirando uma soneca. A onda foi grande!

Parada para o almoço: lapin et canard no menu.

Como não podia deixar de ser, mal fizemos a digestao e já estavamos subindo novamente. Subimos bastante, curvas e mais curvas, até uma rodovia bem movimentada, pela qual seguimos até uma das mais belas paisagens da viagem: um lago com água deslumbrante, entre montanhas e rodeado de pinheiros. Era o Lac de Roseland, nosso ponto de parada do dia.

Enfim, le lac de Roseland.

Descemos pelo asfalto e pedalamos por um trecho curto contemplando aquela imagem até chegarmos ao nosso porto seguro, uma aconchegante pousada à beira do lago.

Chegada ao hotel onde passaríamos nossa última noite na trilha.

Assim concluimos mais um dia de pedal, exaustos, acabados, mas alegres e gratificados por terminar mais uma etapa. Brindamos e confraternizamos ao sabor de uma Leffe, saborosa cerveja belga. Depois foi comer e dormir, pois o último dia de pedal nos aguardava.

No final, o sofrimento passa e só fica a alegria.



Quinto e último dia (20/07/2012)– Lac de Roseland a Chamonix – 59,7Km

Desta vez saímos no horário (quase). Às 9:05hs, depois de mais um excelente petit dejeuner, deixamos o lindo Lac de Roseland e começamos nosso último dia de pedal.

Prontos para encarar o último dia de pedal.

Começamos no asfalto descendo uns 350m de altitude até chegarmos à represa do lago, continuando já em terreno plano por uns 1,5 km numa estrada de barro. Começamos então uma subida com desnível de 600m em estrada estreita de barro, em “S”, e depois mais 100m subindo, carregando a bike no ombro, pois a trilha havia desaparecido completamente.

A trilha sumiu. O jeito foi carregar a bike.

Ao chegar no cume da montanha, já dava pra ver ao longe o Mont Blanc, indicando que estávamos nos aproximando do vale de Chamonix. Encaramos então uma descida em single track muito técnico, inclusive pedalando em “valas” muito estreitas e sobre pedras, por uns 600m até uma pequena fazenda de criação de gado leiteiro.

Retornando ao vale de Chamonix

Bebemos e nos abastecemos de água na fazenda. Em seguida, por um pequeno trecho de single track, pegamos uma estrada de asfalto subindo de forma leve por uns 3km até uma estação de esqui com apenas o restaurante funcionando (o teleférico estava sem funcionar por ser verão). Inciamos então uma descida de uns 500m numa estrada de barro com várias curvas em “S”, muito rápida, por cerca de 4km. Os freios foram muito exigidos e o cuidado era grande por causa da alta velocidade que atingimos e do tráfego de carros. Chegamos então a uma pequena cidade onde almoçaríamos no restaurante L´op Traken, mas uma vez desfrutando de belíssima vista.

O último almoço na trilha.

Almoçamos e seguimos por um single track margeando um rio até encontrarmos o asfalto e segui-lo por uns 7 km, chegando na cidade onde pegamos um trem para subir até o Col de Voza, a 1653m de altitude. No alto, avistamos Chamonix ao longe.

Era chegado o momento do último downhill. Iniciamos descendo por uma estrada de terra bem íngreme por alguns metros e logo em seguida entramos em um single track bem técnico. Alguns optaram por continuar na estrada de terra, por pensar que seria mais fácil, o que revelou-se totalmente falso pois  a estrada inclinou de uma forma absurda. Basta dizer que mesmo com os freios da bike travados ela descia escorregando, derrapando, pois havia muita pedra solta na estrada.

Entrando em Chamonix

O grupo voltou a se reunir já no asfalto nos arredores de Chamonix. Rumamos então para o Challet des Fresnnes, a casa de Phil, mas antes paramos pra tomar um chopp numa estação de teleférico. Pedalamos no asfalto na região urbana periférica de Chamonix por uns 5 km e chegamos de volta ao Chalet. Havíamos completado o Tour du Mont Blanc.

Missão cumprida. Completamos o Tour du Mont Blanc

Naquela noite, fomos comemorar jantando em um restaurante perto da casa de Phil, onde comemos um excelente fondue savoyard, o melhor de todo o vale, segundo Phil e Michelle. Foi um final adequado para coroar a semana de aventuras que havíamos vivido. O Tour du Mont Blanc é diferente de tudo que conhecíamos em termos de mountain bike. Foi uma semana de descobertas e de aprendizado para todos nós, que nos deixou gratificados e com a sensação de missão cumprida.

 

Publicado por: João Carvalho | julho 27, 2012

Tour du Mont Blanc – O Início

Tour do Mont Blanc – O início

Para a maioria das pessoas, viajar à Euopa significa ir às grande cidades, como Londres, Paris e Roma, fazer compras, visitar museus e comer em excelente restaurantes. Para os amantes da natureza e de atividades ao ar livre, entretanto, não há nada que se compare à beleza e à majestade dos Alpes. Foi imbuído deste espírito, que no ano passado o Campa Bikers reuniu um grupo de 16 membros para realizar a travessia da Via Cláudia Augusta, começando na Alemanha, atravessando os Alpes austríacos e terminando em Trento, na Itália. Desta vez, decidimos partir para algo mais radical: o Tour do Mont Blanc.

O Tour do Mont Blanc de mountain bike, começa e termina na cidade francesa de Chamonix, na região da Alta Sabóia (Haute Savoie). Na última matéria, falei um pouco sobre Chamonix e o Tour. Agora vou começar a falar  sobre nossa viagem.

Vista do centro de Chamonix, na parede do prédio estão representado vários montahistas famosos, que fizeram a história do alpinismo.

A trilha é de alta dificuldade, tanto física quanto técnica. Subidas intermináveis, às vezes por estradões de terra batida e outras vezes por trilhas com muitas pedras e raízes, onde pedalar se torna impossível. Práticamente não há trechos planos, as subidas são sempre seguidas imediatamente por descidas acentuadas e longas, com desníveis de até 2.000m. Nas maioria das vezes, estas descidas são muito técnicas, seja com curvas de quase 180⁰, com muitas pedras, ou bastante estreitas e margeando abismos assustadores. Os freios se acabam rápido. A ascenção acumulada média é de 1200m por dia, durante 5 dias. Devido ao elevado grau de dificuldade, e também porque alguns membros não puderam viajar por questões pessoais, este ano nosso grupo foi menor (12 pessoas) das quais eu não fui para pedalar por problemas de saúde que apareceram de última hora. Outro diferencial é que este ano tivemos a participação também de membros do Doido é Doido Bike Clube.

No ano passado, para realizar a Via Cláudia Augusta, não contratamos nenhum serviço de guia. O Campa Bikers cuidou de tudo, aluguel de carro de apoio e de bikes, escolha das paradas e reserva de hoteis e estudo cuidadoso da trilha, que na maior parte do caminho é muito bem sinalizada. Este ano, pórem, decidimos contratar um guia, que também cuidou das reservas, da nossa hospedagem em Chamonix, do transfer Aeroporto de Genebra a Chamonix (ida e volta) e de nos orientar e guiar na trilha, além do transporte de nossa bagagem entre os pontos de dormida. Esta decisão foi tomada por vários motivos. Primeiro, se trata de uma trilha em alta montanha, onde a sinalização por vezes é inesistente. Segundo, a trilha passa por trechos perigosos, margeando abismos, em que a orientação de alguém que conheça a trilha é fundamental. E finalmente, alguns dos locais em que pernoitamos são refúgios de montanha, impossíveis de  fazer reservas pela internet.

Depois de muito pesquisar escolhi a empresa Mont Blanc Mountain Biking Holidays, ou MBMB (http://www.mbmb.co.uk), de propriedade de um inglês, Phill Henen, radicado na França há 20 anos e que há 17 anos conduz clientes pelo Tour do Mont Blanc (ou Tour of Three Countries, como ele prefere chamar). A MBMB realiza a volta completa (cerca de 165Km) em cinco dias, o que nos pareceu bem razoável. Outras empresas realizam a mesma volta em apenas 3 dias, o que é adequado somente para grandes atletas.

Phil Henen, na chegada do terceiro dia de pedal A habilidade que ele demonstrou nos trechos mais técnicos da trilha impressionou a todos.

Não se iludam com a distância, média de 35Km/dia. Fazer esta volta em cinco dias é extremamente pesado, por causa das intermináveis subidas e descidas muito técnicas. Só quem está muito bem condicionado consegue completar. Do nosso grupo de 11, sete completaram o percurso todo, dois perderam um dia por problemas mecânicos e 2 tiveram de desisitir após o primeiro dia. Definitivamente não é uma viagem de cicloturismo. É um teste muito exigente da capacidade física, técnica e mental de cada um.

Primeiro dia em Chamonix. Nosso grupo em frente ao Challet de Fresnnes.

Saindo de Recife, nosso desembarque foi em Genebra (Suíça), com escala em Lisboa. Devido a atrasos de vôo chegamos às 23:00hs e encontramos Phil e Michele (sua namorada americana com quem vive há 4 anos) que nos acomodaram e às nossas bikes em uma van e um carro normal e nos transportaram a Chamonix, onde fiacamos instalados no Chalet de Fresnnes (a 4Km da cidade), que é ao mesmo tempo sede da MBMB, residência de Phil e Michelle e pousada. A vista desse Chalet é estonteante de bela! Avista-se o Glacier des Bossos e o Glacier Taconnaz, dois rios de gêlo que descem a montaha, e ao fundo a famosa Aguille de Midi, uma agulha de pedra que se destaca dos demais picos. Depois vou falar mais da Aguille de Midi.

O Challet des Fresnnes, sede da MBMB em Chamonix. O pico ao fundo é a famosa Aguille de Midi, abaixo do qual está o Glacier des Bossons. À direita, avista-se o Glacier Taconnaz.

Nosso primeiro dia em Chamonix (o domingo) passamos na cidade. Segue uma foto do grupo no centro de Chamonix. O prédio com telhado verde no fundo à esquerda, é a Maison de la Montagne (Casa da Montanha), que abriga a Companhia dos Guias de Alta Montanha de Chamonix, a mais antiga e famosa instituição deste tipo na Europa! Chamonix é muito bonita. cerdada de montanhas cobertas de neve (mesmo no verão) e com a charmosa arquitertura típica dos Alpes. No verão, a cidade respira escalada e alpinismo. Todo o tempo avista-se escaladores passando com cordas, mochilas com equipamentos, piquetas de gêlo ou crash-pads. Pessoas circulam de mountain bike por todos os lugares.

No centro de Chamonix, tendo ao fundo, à esquerda, a Maison de la Montagne

Em seguida, fomos conhecer a ZeroG, loja de bike e acessórios no centro da cidade que também aluga bikes top, onde a festa (de consumo) foi grande. Um dos vendedores, o Henrique, é português e os demais falam excelente inglês, o que facilitou bastante a comunicação. Depois fomos comer em um restaurante na rua principal, chamado le Bivouac que serve excelentes pratos da cozinha típica savoyarde e uma excelente cerveja. O sol estava forte, o que aumentava a vontade de tomar um gelada!

O grupo almoçando no Le Bivouac.

No final da tarde, tomamos o onibus de volta ao chalet, para o excelente jantar regado a vinho preparado por Phil e Michelle. Após jantar, foi correr para a cama para descansar, pois no dia seguinte começaria o pedal. Nas próximas matéria, vou colocar um relato e fotos do dia a dia nas trilhas, mas para isso vou precisar da ajuda de Fábio Dantas e dos demais companheiros que pedalaram pelo Tour do Mont Blanc.

Publicado por: João Carvalho | junho 27, 2012

Tour do Mont Blanc

CHAMONIX

O Tour do Mont Blanc de moutain bike, começa e termina na cidade francesa de Chamonix, na região da Alta Sabóia (Haute Savoie). Chamonix está situada no coração dos Alpes Franceses, na fronteira com Suíça e Itália. Circundada por altos picos e grandes geleiras, essa bela cidade é a porta de entrada para a maior montanha dos Alpes, o Mont Blanc (Monte Branco), com 4.807 metros sobre o nível do mar. Devido à sua localização central, também pode servir de base para se explorar a Europa durante o ano todo. Clique nas fotos para ampliar.

Vista do centro de Chamonix, com o Mont Blanc ao fundo.

A população fixa de Chamonix é 14.000 habitantes. Este número aumenta para 100.000 no auge das temporadas de inverno e verão. Desde a conquista do Mont Blanc por Jacques Balmat and Michel Gabriel Paccard em 1786, Chamonix é considerada a capital européia do alpinismo. A cidade  é muito procurada pelos particantes de esportes de montanha, tanto no inverno (ski e snowboard) como no verão (escalada. mountain bike, paraglide, etc.).

Estátua de Jacques Balmat and Michel Gabriel Paccard no centro de Chamonix. Eles apontam para o cume do Mont Blanc.

Quem gosta da noite, também não fica na mão em Chamonix. Todas as noites tem uma variedade de atrações, DJs, bandas ao vivo, filmes, eventos esportivos e até shows pirotécnicos. A cidade é um centro da famosa culinária regional (fondue e raclete)  e internacional e oferece uma grande variedade de restaurantes, bares, pubs e similares.

Tour do Mont Blanc

O Tour do Mont Blanc é a circunavegação do massiço do Monta Blanc, ou seja, o conjunto de montanhas onde  se situa o Mont Blanc. Essa trilha originou-se como uma trilha para caminhadas. Nela é realizada anualmente a Ultra-Trail du Mont Blanc, famosa corrida a pé da qual vários corredores brasileiros participam. O mapa a seguir mostra o percurso da trilha. Clique para ampliar.

Mapa da trilha do Tour do Mont Blanc

Mais recentemente, essa trilha se tornou popular entre os praticantes de MTB, ou VTT (vélo tout terrain), como dizem os franceses. Várias empresas em Chamonix oferecem o serviço de guiar grupos pelos aproximadamente 165 Km da trilha, geralmente com duração de 3 a 5 dias.

É uma experiência fantástica pedalar por 3 países, com três escaladas que atingem mais de 2.000m de altitude e um total de 7.500 metros de subida.  O biker vai poder experimentar  todos os tipos de pedal dos Alpes, de trilhas bem expostas em barrancos a single-tracks em florestas. No caminho se encontra lagos, cachoeiras e planícies alpinas. Sempre vigiados pelo majestoso Mont Blanc.

Existe um Tour do Mont Blanc de bicicleta de estrada, que percorre um percurso diferente (sempre no asfalto) e é muito popular entre os ciclista do asfalto. Algumas empresas no Brasil organizam grupos para fazer este tour.

Em julho, um grupo do Campa Bikers (11 pessoas) vai fazer o Tour do Mont Blanc de mountain bike. Segundo os guias que contactamos, seremos o primeiro grupo de brasileiros a realizar esta empreitada, pelo que é do conhecimento deles. Quando voltarmos colocaremos aqui no blog uma descrição e fotos de nossa aventura. Nossa viagem será de 13 a 22 de julho. Alguns membros do grupo vão dar uma esticada até Paris depois do pedal, para assistir a chegada do Tour de France. Aguardem.

Seguem  fotos de bikers fazendo a trilha, para que tenham uma idéia do que vamos encontrar.

Até a volta!

Publicado por: João Carvalho | abril 3, 2012

Trilhas da Borborema

Trilha da Mata Pau Ferro em Areia

A Mata Pau Ferro é uma reserva de mata atlântica situada no município de Areia, na região conhecida como Brejo Paraibano. Embora esteja sendo “comida pelas beiradas” pelos locais, ainda conserva em seu interior uma pujança que impressiona o visitante. A trilha por dentro da mata é muito bonita e faz a gente se sentir noutro lugar. É o único lugar no Estado (que seja de meu conhecimento) onde se pode pedalar dentro de uma mata de árvores grandes, que fecham a passagem do sol. É uma trilha muito especial, que merece ser tratada com cuidado e preservada por todos que a usam.

O trecho na mata é pequeno, cerca de 4Km, por isso geralmente é combinado com algum outro percurso.  Devido à distância de Campina Grande, geralmente se vai de carro para algum lugar nas redondezas, onde se começa a pedalar. Uma opção é deixar o carro em Areia ou no Campus da UFPB (mais perto da mata). A minha opção preferida é deixar o carro na cidade de Remígio e pedalar até à mata, entrando na mesma pela Ladeira do Quiabo (advinhem o porque do nome). Este  percurso foi o que fizemos no último sábado, eu e mais um grupo, e está mostrado na foto abaixo. O percurso completo, começando e terminando em Remígio, tem 27,5Km. A ida é descendo, e a volta é uma longa subida. Clique na foto para ampliar.

Pra quem não quiser ir e voltar pelo mesmo caminho, uma opção é usar a estrada que passa no povoado chamado Cepilho, um distrito de Remígio, como mostrado abaixo.   A distância aumenta um pouco,  29,3Km, mas o terreno é melhor de pedalar.

O percurso na mata é muito técnico e exige muita atenção. Logo pra começar tem a famosa Ladeira do Quiabo, muito escorregadia e com valas e troncos caídos no meio da trilha. Não é difícil se perder, porque a trilha não é sinalizada.

Os tracks para GPS destas duas trilhas estão disponíveis para download na página do Campa Bikers no GPSies. Para acessar, basta clicar aqui.

Vejam a seguir algumas fotos que tiramos na mata:

Foto de início do pedal!

Perdido na mata, depois de descer a Ladeira do Quiabo!

Será que a trilha é por aqui?

Ou será por aqui?

Procurei muito mas não encontrei a trilha!

Finalmente encontramos a continuação da trilha!

Esperem por mim!!!!

De volta na trilha. Saímos do sufoco!

Pausa para recuperar as energias!

A trilha na mata termina no açude Vaca Brava.

Publicado por: João Carvalho | março 20, 2012

Trilhas de Campina Grande

Trilha da Vóvó

A Trilha da Vóvó é uma das trilhas mais antigas de Campina Grande, tendo sido descoberta no início do mountain bike local. O nome, conforme reza a lenda, faz referência à avó de Robério Bezerra, que morava em um sítio no início da trilha. Quando Robério chamava os amigos para pedalar dizia, “vamos fazer a trilha da vóvó”. O nome pegou!

Originalmente, o acesso à Trilha da Vóvó era pela Av. Manoel Tavares, entrando ao lado da construção abandonada de um shopping que nunca foi terminado. Com as construções que ocorreram na avenida, este acesso foi bloqueado. Hoje o início da trilha fica no final do muro do Nações Residence Privé.

Por conta das dificuldades de acesso, a trilha ficou muito tempo abandonada pelos bikers. Isso e também porque muita gente das antigas já não pedala mais, e os novos não conhecem. Eu tenho uma lembrança muito boa da Trilha da Vóvó: foi nela que eu inaugurei minha primeira bike full-suspension, uma Specialized FSR verde limão, na companhia do saudoso amigo Eraldo Custódio.

Na semana passada redescobrimos a Trilha da Vóvó e já a percorremos duas vezes  mais depois da primeira, nos dois sentidos. Esta trilha é muito boa para ser feita nos dias de semana, porque é curta mas muito exigente, tanto física quanto tecnicamente. Assim, ela pode ser concluída em pouco tempo (se ninguém furar pneu, lógico) e deixa todo mundo satisfeito. Abaixo o mapa da trilha como a percorremos hoje, começando no Privé e saindo na Virgem dos Pobres. Foram 16,72Km, com muita subida e descidas bem técnicas. Clique nas imagens para ampliar.

Uma coisa boa dessa trilha é que ela pode ser combinada com vária outras, e ser percorrida nos dois sentidos. Na terça da semana passada começamos pelo Convento Ipuarana, passamos na Ladeira das Pedras, fizemos a Trilha da Vóvó ao contrário e saímos no Atmosfera, um total de 17,08Km . Na quinta invertemos, começando no atmosfera, cruzando a BR104 na entrada do Magia do Verde, e subindo a Ladeira da Pitomba. Foram 13,46Km.

O mapa a seguir, mostra a combinação dos três percursos:

Os tracks para GPS destas trilhas estão disponíveis na página do Campa Bikers no site GPSies, basta clicar aqui.

Para finalizar, algumas fotos que tiramos hoje. Dá pra ver que a trilha é muito boa e muito exigente.

Corredor descendo no início da trilha.

Corredor com erosão grande numa descida forte. Todo mundo desceu...da bike!

Descendo o corredor. A foto não consegue mostrar a inclinação do terreno!

Adutora abandonada no final da descida do corredor.

Começa outra subida. O visual compensa!

Segunda grande descida, por trás do Atmosfera. Visual fantástico!

Alegria geral!!!

Publicado por: João Carvalho | março 19, 2012

Trilhas de Campina Grande

PUXINANÃ

Um dos destinos favoritos dos bikers de Campina Grande é a cidade de Puxinanã. Existem várias opções de percurso, todos com muitos atrativos. Em Puxinanã a primeira atração é parar na padaria para tonar uma água de coco ou um café com leite com pão doce.  Ou então ir na mercearia que vende frutas, comer uma melancia ou um abacaxi.

Outra atração em Puxinanã é o lajedo, usado pela cidade para represar água. Para os bikers, o desafio é subir e depois descer o lajedo pelo lado mais inclinado, duas rampas de pedra que fazem a adrenalina correr. As fotos a seguir mostram o lajedo, mas não conseguem reproduzir a verdadeira inclinação das rampas. É muito inclinado!

Subindo o lajedo

Breno descendo a primeira rampa

Breno descendo a primeira rampa.

Márcio radicalizando!

Júnior na segunda rampa. É muito mais inclinado do que parece na foto!

Roberto freando forte no final da rampa!

Visão das duas rampas do lajedo!

Depois, um curto  pedal pelo lajedo e chega-se ao segundo desafio: atravessar pedalando a parede da represa, que é muito alta. A dificuldade é mais psicológica, pois a parede tem cerca de 1m de largura, suficiente para pedalar sem susto. O medo é só por causa da altura. Se o biker perder o equilíbrio e cair, o estrago é grande!

Pedalando no lajedo.

Testando os nervos no segundo desafio do lajedo.

A parte final da travessia.

É muito alto!

Dependendo do percurso escolhido, a distância ida e volta a Puxinanã varia de 25 a 32Km. Várias opções de trilha existem, tanto na ida quanto na volta. Eu aqui selecionei três, que tanto podem ser percorridas no sentido descrito abaixo quanto no sentido inverso:

1. Trilha Rápida via Genipapo

Download do Google docs:  Tr4 – Puxinanã1.gpx

Download do GPSies: Tr4 – Puxinanã rápida.gpx

Este é o caminho mais utilizado, principalmente quando se quer fazer um treino de velocidade. São 25 Km ida e volta, passando pelo Jenipapo. É uma trilha muito boa para quem gosta de andar rápido, sem encarar dificuldades técnicas.

Saída e chegada: Manzuá do Bairro das Nações.

Distancia total: 25 Km

Variação de Altitude: 119 metros (de 595  para 713 metros)

Subida acumulada: 460 Meter
Descida acumulada: 456 Meter

Grau de dificuldade:  GPSies-Index 4,79   ClimbByBike-Index 40,78   Fiets-Index 0,06 

2. Trilha mais técnica via Samambaia

Download do Google docs:  Tr4 – Puxinanã2.gpx

Download do GPSies: Tr4 – Puxinanã via Samambaia.gpx

Esta segunda opção de trilha incorpora alguns trechos mais técnicos e algumas subidas mais pesadas.  Ida e volta são 27,2 Km, indo pela Samambaia e voltando pelo Genipapo. O trecho mais técnico é depois do Genipapo, com uma descida com muita erosão, seguida por um trecho de areia e uma subida forte. Este trecho está destacado na figura abaixo (clique na figura para ampliar).

Saída e chegada: Manzuá do Bairro das Nações.

Distancia total: 27,2 Km

Variação de Altitude: 117 metros (de 595  para 713 metros)

Subida acumulada: 583 Meter
Descida acumulada: 569 Meter
Grau de dificuldade:  GPSies-Index 5,54  ClimbByBike-Index 48,24   Fiets-Index 0,05 

3. Trilha mais pesada via Catarina

Download do Google docs:  Tr4 – Puxinanã3.gpx

Download do GPSies: TR4 – Puxinanã via Catarina

Esta é uma opção mais pesada de trilha, por causa da descida que leva até o estradão do Hospital da FAP e da subida pela Catarina, para chegar a Puxinanã. A volta é pelo Genipapo. Este percurso feito ao contrário fica ainda mais pesado, porque a subida do estradão é mais forte do que a Catarina, como pode ser visto no perfil de altitude na figura abaixo (clique na figura para ampliar). Nos dois casos tem que ter cuidado nas descidas porque a velocidade atingida é alta, além das curvas, erosões e do tráfego de motos e carroças.

Saída e chegada: Manzuá do Bairro das Nações.

Distancia total: 30,78 Km.

Variação de Altitude: 147 metros (de 547  para 694 metros) .

Subida acumulada: 600 m.
Descida acumulada 595 m.

Grau de dificuldade:  GPSies-Index 5,72  ClimbByBike-Index 50,27   Fiets-Index 0,07 

4. Puxinanã e Rancho do Cajú.

Download do Google docs:  TR 4 – Puxinana-RanchoCaju.gpx

Download do GPSies:  TR4 – Circuito em Puxinanã via Rancho do Caju

Para quem acha que só ir a Puxinanã é pouco, essa trilha pode ser feita para estender mais o pedal. Garanto que vai deixar qualquer um satisfeito. São 16 KM, começando e terminando em Puxinanã e passando no Rancho do Cajú, com muita descida e subida, como mostra a foto imagem abaixo.

Saída e chegada: Puxinanã, praça da padaria.

Distancia total: 16,05 Km.

Variação de Altitude: 76 metrosr (de 642 para 718 m) .

Subida acumulada: 314 m.
Descida acumulada 304 m .

Grau de dificuldade:  GPSies-Index 3,72  ClimbByBike-Index 30,02   Fiets-Index 0,04 .

Estas trilhas e todas as outras que venho colocando no blog,  estão disponíveis na minha página do site GPSies. Quem quiser olhar ou baixar daquela página, clique aqui.  Para baixar um arquivo único com todas as trilhas desta matéria, clique aqui.

Older Posts »

Categorias