Publicado por: joaomc1952 | maio 6, 2011

Equipamentos topo de linha valem o que custam?

Esta matéria é uma adaptação de um artigo publicado no site britânico Bike Radar, um dos meus favoritos. Quem quiser ler o artigo original pode seguir este link: http://www.bikeradar.com/feature/article/is-high-end-mountain-bike-kit-worth-the-extra-money-29872.
O autor é Steve Worland, que escreve na revista “What Mountain Bike”.

O objetivo do autor do artigo é analisar até que ponto os equipamentos “top” valem o preço extra que alguns pagam por eles, quando comparados com equipamentos similares de nível médio. Para tanto é feita uma avaliação comparativa entre cinco pares de equipamentos (um top contra um médio), com relação a preço e desempenho.

O primeiro ponto levantado pelo artigo é que do ponto de vista racional (lógica), não há como justificar comprar bikes e componentes topo de linha. Depois de um certo ponto, segundo eles, se paga cada vez mais por um retorno, em termos de benefícios, cada vez menor. Além do que, bikes e componentes topo de linha são muitas vezes mais frágeis e sujeitos a falhas que seus equivalentes mais baratos. Por vezes, um equipamento top récem lançado, cheio de inovação, não apresenta o mesmo grau de confiabilidade e durabilidade de um outro que já está no mercado a algum tempo. O preço extra que se paga é para cobrir os custos de desenvolvimento e design, mas pode acontecer de problemas não previstos virem a aparecer. Outro ponto é que as inovações técnicas acabam por descer para os equipamentos médios, ficando acessíveis por um preço bem mais baixo, como aconteceu com o sistema de marchas 2 X 10.

Vamos examinar então os equipamentos avaliados. Foram atribuídas notas de 0 a 5 para os itens valor (custo) e performance, para cada equipamento. Os preços estão em libras esterlinas. Para converter para real, multiplique por 2,65.

1. Central FSA Comet 386 (£119 ) versus FSA K Force 386 (£590)

Neste caso, segundo o artigo, o que se ganha com o K Force é mais beleza e uma redução de 200g no peso, comparado com o Comet. Segundo os avaliadores, este ganho não compensa a diferença de preço, pois não implica em ganho de performance.
As notas atribuídas foram:
Comet 386 – Valor : 4,5 Performance: 4
K Force 386 – Valor: 2 Performance: 4

2. Transmissão Shimano SLX (£405) versus Shimano XTR (£1,100)

O jogo de transmissão inclui o movimento central completo, cassete, passadores, cambios dianteiro e traseiro e corrente. Segundo o artigo, o SLX tem um desempenho excelente, capaz de satisfazer mesmo o biker mais exigente. O XTR ganha em aparência (design) e em suavidade na passagem de marchas, mas será que esse ganho compensa a diferença de preço?
Notas:
SLX – Valor: 4 Performance: 4,5
XTR – Valor: 3 Performance: 5

3. Sapatilha Specialized Sport (£70) versus Specialised S-Works (£199)

Citando o artigo, a sapatilha Sport é leve com sola rígida, boa para corridas e trilhas, confortável (Body Geometry) e os fechos de velcro são muito eficientes. A S-Works tem um solado de carbono muito rígido e leve, sistema Boa de fecho rotativo, bem como detalhes que visam melhorar o desempenho e a fazem sentir como uma sapatilha de ciclismo. Fora da bike, a S-Works é menos confortável que a Sport (segundo o artigo).
Notas:
Sport – Valor: 4 Performance: 4
S-Works – Valor: 2 Performance: 4

4. Garfo RockShox Reba RLT (£500) versus RockShox SID XX World Cup (£1,100)

Sempre citando o artigo, estes dois amortecedores oferecem uma qualidade de amortecimento muito semelhante. O XX pesa 1350g, contra 1700g do Reba RLT, mas o autor do artigo desafia qualquer um a dizer que vai conseguir pedalar mais rápido por causa desta diferença de peso. Novamente a questão: o ganho compensa o preço extra?
Notas:
Reba RLT – Valor: 3,5 Performance: 4,5
SID XX – Valor: 2 Performance 4,5

5. Cassete SRAM X7 (£60) versus SRAM XX (£320)

Para o autor do artigo, os cassetes SRAM são o exemplo mais extremo das diferenças entre equipamentos médios e topos de linha. Tudo bem que o XX é uma obra de arte, esculpido por máquina em uma só peça e pesando 185g. Mas o X7 custa cinco vezes menos, tem um desempenho muito satisfatório e a diferença de peso é apenas 130g. Dá pra tirar essa diferença se sair para pedalar sem comer nada.
Notas:
X7 – Valor: 4 Performance: 4
XX – Valor: 1,5 Performance: 4,5

Os testadores de equipamento (pilotos) da revista também são citados no artigo e seguem a linha de preferir usar equipamentos de nível médio nas suas bikes particulares. Mesmo porque, segundo eles, a qualidade dos equipamentos médios atualmente é tão boa, que o custo adicional de um equipamento top, geralmente mais sensível, delicado e por isso mesmo, mais sujeito a falhas, não compensa.

O artigo conclui que a escolha de uma bike é uma coisa muito pessoal, que nem sempre segue a lógica do custo x benefício, mas que a maioria das pessoa escolhe baseado em critérios de conveniência e facilidade de uso, ao invés de escolher entre o que é pior ou melhor (em qualidade ou status).

Consultando os membros da equipe da revista, foi verificado que a maioria prefere pagar o preço de usar componentes mais pesados, em troca de mais confiabilidade e durabilidade, e que ninguém está preocupado com a questão de status, pelo menos não além de um certo limite (o difícil é definir este limite).

Outra observação é que com os custos aumentando (em função da economia e da taxas de câmbio), bikes topo de linha estão ficando fora de alcance para a grande maioria das pessoas. Com isso, opções na faixa média estão ganhando espaço entre os bikers. Um exemplo é que muitos, na hora de trocar de bike, estão saindo das 26 full-suspension e optando 29 hard-tail, mais simples, duráveis, e de manutenção mais barata.

Espero que tenham gostado.

Vamos pedalar!


Respostas

  1. Uma pergunta: uma bike com 9,98 kg oferece melhor desempenho (após 5h de pedalada) do que uma boa bike de 12,8 kg??
    Se a resposta for SIM, só se chega aos 9,98 kg através dessas peças caríssimas.
    A vida não é justa …..


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